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sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Fim da greve da WGA

Hoje em dia as mudanças acontecem realmente muito depressa. Fico fora uma semana e não é que acabaram a greve dos roteiristas da WGA bem nesse período.

O processo continua, ainda é preciso que os membros votem se aceitam ou não o contrato de 2008 (MBA 2008), e esta última votação está marcada para dia 25/02.

Porém, já decidiram que não haverá mais greve até lá.

Se por um lado isto significa que várias pessoas voltaram ao trabalho, que as séries e filmes voltaram a ser produzidos, que a economia de Los Angeles vai se reaquecer, por outro significa o fim das passeatas temáticas, praticamente decreta a extinção dos vários filmetes que pipocaram na net parodiando os roteiristas (ou a falta deles), e para a tristeza dos que tinham viajem marcada para LA, não será mais tão fácil encontrar o seu escritor favorito na rua, ao seu alcance, pronto pra te dar um autógrafo ou trocar uma idéia.

Você soube depois aqui, em "Imagem, som e fúria".


Para quem se interessar:
Link das companhias que assinaram acordos temporários com a WGA.
Link do resumo do contrato (em pdf). Dia 25/02 os membros da WGA votarão se o contrato deve ser aceito ou não.

domingo, fevereiro 03, 2008

Adote um roteirista

Adoro boas idéias e a idéia brilhante da vez vai para Liz Pardue, editora do blog Glowy Box.

Ela idealizou o projeto do site Adopt A Writer.
O funcionamento é simples, diversos sites de fãs (blogs de TV) se encarregariam de entrevistar algum roteirista e depois reuniriam estas entrevistas no site central do projeto (além é claro de constarem também no blog entrevistador).
Outra sacada é tentar entrevistar roteiristas não tão famosos, pessoas normais com vidas normais. O objetivo é colocar o roteirista mais perto do seu público.
Esperam mostrar que o "roteirista normal" está muito mais perto do "telespectador normal" (trabalhador de classe média) do que se imagina, não sendo portanto riquinhos mimados como prega a AMPTP.

Se por um lado isso reduz o glamour da profissão, mostrando rostos (quase) totalmente desconhecidos levando vidas tão difíceis quanto a do cidadão comum, por outro mostra que quem quer ser roteirista em hollywood não precisa ser lindo, rico ou extremamente talentoso (talvez só um pouco de talento já baste).
Além também de oferecer alguns insights sobre a profissão.
No final das contas voltamos ao velho trabalho duro e ganhar na loteria continua sendo o meio mais rápido de se enriquecer.


No momento em que escrevo existem 16 blogs entrevistadores e duas entrevistas no arquivo.
Mas já foi o suficiente pra ter mais uma das minhas paixões à primeira vista, Kate Purdy (foto) roteirista de COLD CASE. Uma série que eu não assisto mas estou começando a achar que gostaria de trabalhar na equipe.
Ou então adotar esta escritora.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

DGA e AMPTP chegam a um acordo

Foi anunciado ontem que a DGA e a AMPTP chegaram a um acordo quanto ao contrato para os próximos 3 anos.
Por enquanto está disponível o resumo do que foi negociado.
Fica a questão agora de como a WGA vai reagir ao que foi conseguido.
Os capitães da greve (voluntários encarregados de organizar os piquetes e passar informações para os diversos grupos de escritores) já começaram a analisar o resumo no blog United Hollywood. Não é nada oficial e também eles estão se baseando no resumo e não no contrato em si.
As medidas oficiais deverão ser tomadas pelo comitê de negociação da WGA depois que eles analisarem o contrato de verdade. É só questão de esperar.

Sobre o que saiu no resumo podemos ver alguns pontos onde houve avanços interessantes, em outros nem tanto. Por exemplo na parte de streaming com propagandas, os estúdios teriam um período de 17 dias (ou 24) de janela, no qual não pagariam residuals, e depois pagariam $600 por um período de seis meses a até $1200 por um período de um ano, só depois deste primeiro ano é que os diretores receberiam 2% do lucro do distribuidor.
Se pararmos pra pensar que hoje em dia uma reprise no horário prime time vale $20000 e que eles ganhariam apenas $1200 por downloads ilimitados por um período de um ano o prejuízo é enorme, ainda mais se pensarmos que este modelo de streaming bancado por comerciais é um dos modelos que tem mais força de substituir a televisão normal.
O único ponto a favor aqui são os 2% sobre o ganho do distribuidor, mas isto só começará a valer a partir do segundo ano, ou seja, se no segundo ano o episódio ainda estiver disponível para streaming e ainda tiver audiência (que logicamente será bem menor já que a novidade terá passado) aí sim os diretores ganhariam algo interessante.
Mas eu estou me concentrando demais no lado negativo aqui, justamente pra mostrar que este contrato com a DGA não significa automaticamente o fim da greve, mas um período em que a WGA deverá ler atentamente o contrato e usá-lo como ponto de partida para mais uma leva de negociações com a AMPTP.
Está mais para um possível começo do fim.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Contratos temporários - mais sobre a greve da WGA

Saiu a notícia neste último sábado (12/01) de que foi fechado um acordo com a TWC (The Weinstein Company) e a WGA.
Já é a terceira produtora/companhia a assinar um contrato paralelo com a WGA, a primeira foi a Worldwide Pants (companhia do David Letterman e que produz seu próprio show) e a segunda foi a United Artists.

Pessoalmente acho que é uma coisa boa. Se companhias "pequenas" estão assinando contratos com a WGA significa que as desculpas dadas pelos grandes estúdios eram papo-furado (mas isso todo mundo já sabia, hehe), só que agora, isso fica comprovado, já que até os pequenos conseguem arcar com o que os roteiristas estão pedindo.
Mas nem tudo são rosas, apesar da AMPTP ter menos desculpas para não voltar à mesa de negociações isso não significa que eles retornarão tão cedo.
Como nos mostra este artigo do blog Artful Writer, na greve de 88 a WGA fez acordos paralelos com 64 companhias, na opinião de Craig Mazin, isto não teve muito impacto na duração da greve e nem no tipo de acordo que eles conseguiram no final.

E eu aqui estava todo feliz acreditando que tudo seria resolvido e que minhas séries preferidas voltariam a ser produzidas, quanta ingenuidade, hehe.
Mas tudo nesta greve é meio assim, toda boa notícia tem que ser absorvida com cautela e toda má notícia tem muita chance de ser boato ou difamação, já que as mesmas empresas que controlam os grandes estúdios controlam a maioria das mídias de comunicação.

PS: A DGA (Sindicato dos diretores) começou a negociar o seu contrato no sábado dia 12, o resultado desta negociação pode decidir o futuro da greve, mas como as partes envolvidas prometeram não falar com a imprensa até que o acordo tenha sido concluído o negócio é esperar pra ver.


Atualização (15/01/08): Parece que agora são 4 acordos temporários feitos pela WGA, o último foi com a MRC (Media Rights Capital), o interessante deste último acordo é que a MRC tem os direitos sobre mais de uma dúzia de originais feitos para internet.
Aqui um link explicando melhor o que é a MRC, e aqui outro mostrando os filmes em que eles estiveram envolvidos.
Não consegui achar quais seriam os originais feitos para a internet pra colocar o link a disposição.

Atualização (02/02/08): Até agora foram feitos acordos temporários com as seguintes companhias: Intermedia, The Film Department, Lionsgate, RKO Productions, Marvel Studios, The Weinstein Company, United Artists, Sidney Kimmel Entertainment, Spyglass Entertainment, MRC, Jackson Bites, Mandate Films, e Worldwide Pants.
fonte: United Hollywood

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Greve dos roteiristas nos EUA

Estou devendo um artigo sobre a greve dos roteiristas da WGA.
Tem tanta coisa que poderia ser dita sobre a greve que até dá preguiça.
Sinto que um bom ponto pra começo de conversa pode ser a reivindicação mais importante que eles estão fazendo, "residuals" sobre conteúdo nas novas mídias digitais.

"Residual" é um tipo de pagamento feito ao autor pela reutilização da obra.Funciona assim, cada vez que um filme passa na televisão a emissora de TV paga para o estúdio (produtor e/ou distribuidor) e desse dinheiro o estúdio paga uma parte de "residuals" aos autores da obra (roteiristas, diretores, atores principais), até o pessoal da equipe técnica recebe os tais "residuals", mas ao invés de receberem individualmente como roteiristas e diretores o dinheiro vai para o fundo de pensão.
Todo mundo ganha, estúdios multi-nacionais e empregados, toda vez que o filme passa novamente na tv o ciclo se repete, as quantias são asseguradas por contrato e os sindicatos tem o importante papel de garantir quantias justas para seus integrantes de acordo com a importância do trabalho. Sendo as obras audiovisuais uma criação coletiva elas tem vários autores mas nada mais lógico que seus autores principais (roteirista, diretor e atores principais) recebam mais, visto que sua participação artística é bem maior.
Venda de DVDs também é reutilização da obra mas os residuals sobre eles são ridiculamente baixos, 0,3% (na verdade 0,36%, um terço de centavo pra cada dólar), esse valor foi fixado em 1988 na última greve e desde então a WGA não conseguiu mais aumentar o valor.
Mas o valor tão baixo só foi aceito porque a AMPTP veio com a história de que o mercado de "home videos" estava no início e que para engrenar era necessário que os residuals não fossem altos, mas depois de três anos (eu acho) eles seriam corrigidos para uma taxa mais justa, essa correção nunca aconteceu e aqui estão eles vinte anos depois onde o mercado de DVD é multibilionário.
É por isso que é muito importante fixar um valor justo desde já para as novas mídias digitais, além do que esse é um mercado que já existe e os estúdios já estão ganhando (muito) dinheiro com isso e com a internet.

No blog Artfull Writer do Craig Mazin tem um ótimo artigo explicando alguns tipos dessas novas mídias digitais.

Venda eletrônica direta
É o modelo iTunes, você compra o filme/série e paga pra poder fazer o download.

Streaming com comerciais

Nesse modelo o espectador não paga nada pelo vídeo mas existe comercial durante a sua exibição (da mesma forma que na TV normal), ou no início antes do vídeo começar.
Ou seja, os anunciantes é que estão pagando. Sempre tem alguém pagando, os estúdios não se dão ao luxo de disponibilizar conteúdo de graça.

Streaming por assinatura

O consumidor paga uma taxa de assinatura mensal pelo direito de assistir streamings da internet e baixar conteúdo.

Feito para internet

Seria o conteúdo feito originalmente para internet.
Que se dividem em dois tipos, os trabalhos derivados, por exemplo um capítulo de 10 minutos de LOST ou HEROES feito apenas pra internet, e os trabalhos originais, que seriam as obras feitas para serem veiculadas primariamente na internet.
Os estúdios aceitam que a cobertura do sindicato possa ser feita para os roteiristas de trabalhos derivados, os que já existem em cinema e TV, mas os roteiristas de conteúdos originais ficariam tão desamparados quanto os de animação e os de reality-shows.
É claro que como a tecnologia está mudando e talvez daqui a um tempo a internet tenha mais visibilidade do que a TV se a WGA deixar que esses roteiristas fiquem fora do sindicato seria a mesma coisa que decretar o seu fim.


Atualização (07/01/2007):
Sobre a divisão de "residuals" entre os atores, aparentemente todos ganham (não só os principais) mas a divisão é baseada no salário e no tempo de trabalho.
Li isso em um artigo muito bom, no site Digital Media Law que explica tim-tim por tim-tim como é feito o cálculo dos famosos 0.3% (ou 0.36%) sobre o mercado de "home video".
Enquanto o valor de contrato dos "residuals" da DGA é o mesmo da WGA o da SAG é três vezes maior do que o da WGA para compensar essa divisão entre os atores.